Reestruturação das Carreiras de Autocarros e Elétricos em Função do Novo Elétrico 16E
Mapa brevemente disponível
Introdução
A chegada do 16E deve reorganizar a rede, não reduzi-la
O Estudo de Impacte Ambiental do 16E, elaborado pela PROFICO, prevê a reorganização da rede de autocarros ao longo do corredor, através da supressão ou encurtamento de qualquer carreira que se sobreponha a este novo elétrico. Na sequência desse estudo, os Autocarros de Lisboa e os Vizinhos em Lisboa apresentam uma proposta alternativa, que reorganiza e otimiza a oferta.
A chegada de um elétrico de elevada capacidade não deve constituir pretexto para uma redução drástica da rede de autocarros, mas sim para a ajustar à nova realidade, dando aos passageiros mais opções de escolha e novos destinos. Com efeito, o 16E circula essencialmente pela frente ribeirinha, ao longo da Avenida Infante D. Henrique, não servindo convenientemente vários bairros que hoje dependem dos autocarros.
Importa ainda sublinhar que a sobreposição não é, por si só, motivo para suprimir serviço. O próprio 15E é atualmente sobreposto a outras carreiras, mantendo cada uma procura e funções próprias.
Acresce uma questão de meios. Atualmente, a CARRIS dispõe de apenas 21 elétricos articulados - 6 da série 500 e 15 da série 600 - para assegurar as linhas 15E e o 16E. Existem 4 outras unidades (504, 506, 508 e 509), que se encontram encostadas em Santo Amaro e Miraflores, que poderão eventualmente ser repostas ao serviço para reforço do parque de material, a verificarem-se condições para tal. Se o 16E partir de Belém, como faz sentido que aconteça, não existirão meios para a frequência apresentada no estudo. Menos sentido faz, por isso, que se retirem todos os autocarros sobrepostos ao elétrico, devendo antes ser ajustados conforme se propõe nas secções seguintes.
No que diz respeito às linhas 15E e 16E, ambas devem circular com uma frequência equiparável, permitindo circulações intercaladas no troço entre Belém e a Praça do Comércio, criando um corredor de elevada frequência, sendo o 15E procedente de Algés e com destino à Praça da Figueira (como atualmente já acontece) e o 16E com início no Mosteiro dos Jerónimos e destino ao Parque Tejo.
Traçado do 16E
Alternativa 2, com uma alteração no Poço do Bispo
Foram analisadas as várias alternativas de traçado apresentadas no estudo, entendendo-se que a mais adequada é a Alternativa 2, que circula pelo eixo central da Avenida Infante D. Henrique e pela Avenida D. João II, com paragem junto à Estação do Oriente. Esta solução garante a continuidade da avenida, com duas vias de circulação em cada sentido, e evita desvios em gancho no Oriente. A paragem junto à Estação do Oriente assegura ainda a ligação direta a uma das principais interfaces da cidade, com metropolitano, comboios suburbanos e de longo curso e terminal rodoviário. O próprio estudo considera-a preferível no cômputo geral do ambiente sonoro e das vibrações, reconhecendo que, após a aplicação de medidas de minimização, as diferenças ambientais entre alternativas são pouco expressivas.
De todas as opções apresentadas, e mesmo que nenhuma alteração pudesse ser introduzida, a Alternativa 2 é a única que se considera adequada. Em sentido contrário, a Alternativa 1 não deve ser adotada, ainda que o estudo a apresente, a par do Traçado de Referência, como uma das opções mais equilibradas. Reduz a avenida a uma via de circulação em cada sentido, cria arruamentos sem lógica aparente junto ao Beato e afeta o Parque Ribeirinho Oriente. Sobretudo, afasta o elétrico do centro da futura urbanização da Matinha, que será uma nova centralidade da zona oriental e deve ser atravessada por um transporte de qualidade, ao invés de um elétrico que circula ao seu redor, pela beira-rio.
Propõe-se apenas uma alteração à Alternativa 2, no Poço do Bispo: o 16E deve sair do eixo central da avenida junto à Rua do Açúcar, seguir pelo interior e percorrer a rua diagonal (Rua Maria José Nogueira Pinto) até ao cruzamento da Rua Fernando Palha, junto à Fábrica de Braço de Prata. Deste modo, em vez de intersetar a rotunda em dois pontos, o elétrico cruza apenas este cruzamento. A Alternativa 2 mantém-se no restante percurso.
O argumento principal é o respeito pelo planeamento aprovado para esta zona. A rua diagonal foi desenhada, desde o início dos anos 90 e antes dos próprios planos de urbanização, para a passagem do elétrico. Foi depois integrada no loteamento de Braço de Prata (atual Prata, Alvará n.º 02/2010) e no Plano de Pormenor da Matinha, em vigor desde 2011 (Aviso n.º 7127/2011). O estudo não analisou este traçado interior por se ter baseado no LIOS Oriental, encomendado pelo Metropolitano de Lisboa.
À data da proposta, encontrava-se em discussão pública, até 14 de outubro de 2026, a Unidade de Execução Abel Pereira da Fonseca, que abrange o quarteirão entre a Rua do Açúcar e a Avenida Infante D. Henrique. Deve ser salvaguardada, no seu âmbito, a passagem do 16E aqui proposta.
Conclusão
Uma rede ajustada ao novo elétrico
O 16E constitui uma oportunidade para ligar o ocidente, o centro histórico e o oriente de Lisboa, mas não deve constituir pretexto para a redução da rede de autocarros. Com a frota disponível e um percurso essencialmente ribeirinho, o elétrico não substitui, por si só, as ligações que hoje servem o interior dos bairros.
No que respeita às opções de traçado apresentadas pela PROFICO, defende-se que a mais vantajosa é a Alternativa 2, com uma única alteração no Poço do Bispo. A partir do Beato, o elétrico deve servir o interior via Rua do Açúcar, facilitando o acesso à zona antiga de Marvila, também acessível a pé a partir do Largo do Poço do Bispo (Praça David Leandro da Silva), e seguir depois pela rua diagonal (Rua Maria José Nogueira Pinto), em respeito pelo planeamento aprovado para a zona há décadas.
Propõe-se, por isso, uma rede ajustada que:
- Reformula a 26B;
- Mantém a 708 no Parque das Nações Norte e em Sacavém;
- Desvia a 728 para o Areeiro pela Avenida Mouzinho de Albuquerque;
- Encurta a 781 à Estação de Santa Apolónia;
- Mantém a 782, diária e com serviço noturno, entre o Cais Sodré e a Portela, em substituição da carreira 728 na zona ocidental, circulando pelo interior de Xabregas e Beato, Vale Formoso de Cima, Parque das Nações Sul, Estação Oriente e Moscavide;
- Desvia o 18E pela Rua de São Paulo, alteração que deve ocorrer no imediato, passando a terminar no Corpo Santo. Possível prolongamento a Santa Apolónia com a construção da nova infraestrutura;
- Desvia a 25E da Praça da Figueira para Santa Apolónia, via nova infraestrutura da linha 16E;
- Dispensa a criação da 784 proposta pela PROFICO.
Esta reorganização permite ainda poupar chapas ao serviço, nomeadamente nas carreiras 728 e 781. A carreira 782, pelo contrário, necessitaria de reforço de recursos face à situação atual, uma vez que passa a funcionar diariamente e em todo o corpo do dia.
A validação destas alterações deve ser proporcional à sua natureza, sem se transformar num processo de estudo demorado. Com exceção das alterações às carreiras 708, 18E (via R. S. Paulo) e 26B, que devem ser implementadas desde já, todas as restantes só devem entrar em vigor após a entrada em funcionamento do 16E. O acompanhamento após a implementação permitirá introduzir os ajustes necessários.
Carreiras afetadas
O que muda em cada carreira
26BReformulação em circulação no Parque das NaçõesImplementação imediata
A proposta de reformulação da carreira 26B é independente do estudo do novo elétrico 16E, tendo sido já apresentada à CARRIS anteriormente, e deve ser implementada de imediato.
Prevê que a carreira funcione em regime de circulação, conforme ilustrado no mapa seguinte. Evitando o trajecto em "ida e volta" e a passagem pelo mesmo local duas vezes, confere a esta carreira de bairro um trajecto mais direto e retilíneo, chegando a mais pontos da freguesia do Parque das Nações sem deixar de ser servir os locais por onde atualmente passa, permitindo ainda uma ligeira melhoria na frequência.
Esta proposta de reformulação - já apresentada anteriormente à CARRIS - deve ser implementada no menor espaço de tempo possível e manter-se aquando da entrada em serviço da linha 16E, uma vez que apresenta soluções distintas da nova carreira de elétrico nos locais onde coexistem.
708Manutenção no Parque das Nações NorteAquando da entrada em funcionamento da nova linha 16E
O estudo elaborado pela PROFICO prevê o encurtamento da carreira 708 à Estação Oriente aquando da implementação da nova linha 16E, propondo a PROFICO a criação de uma nova carreira designada 784, a circular entre Estação Oriente, Parque das Nações Norte, Sacavém, Portela e Moscavide.
Tais implementações levariam a uma perda da qualidade do serviço na zona norte do Parque das Nações, que se considera desajustada às necessidades por diversas razões. A nova 784 proposta pela PROFICO irá ligar zonas atualmente já servidas pela CARRIS METROPOLITANA, levando a uma redução de opções por parte dos moradores no que diz respeito a destinos possíveis, obrigando a mais transbordos.
O elétrico 16E e o autocarro 708 não têm necessariamente de circular pelos mesmos arruamentos na zona norte do Parque das Nações, devendo o 708 manter o seu traçado atual, que difere do traçado do elétrico (Alternativa 2), considerado preferencial, oferecendo assim uma melhor cobertura da área referida. Mesmo que circulem sobrepostos em alguns troços, tal não é problemático, uma vez que oferecem soluções totalmente distintas aos passageiros:
No sentido Norte, o 16E finalizará no Parque Tejo, enquanto o 708 seguirá para Sacavém.
No sentido Sul, o 16E segue sempre pela frente ribeirinha, enquanto o 708 oferece ligação direta aos Olivais, Praça do Aeroporto e Areeiro/ Alameda.
NOTA: O encurtamento da 708 à Praça do Chile figurado na espinha e mapa não decorre do estudo da nova linha 16E, mas sim de outra proposta apresentada à CARRIS, que procura conferir à carreira 708 frequências mais regulares e evitar atrasos.
728Desvio ao Areeiro via Avenida Mouzinho de AlbuquerqueAquando da entrada em funcionamento da nova linha 16E
Tendo em conta que o elétrico 16E irá assumir a ligação entre a zona ocidental e oriental de Lisboa de forma rápida e com frequências satisfatórias, considera-se que deixa de fazer sentido a 728 duplicar essa ligação, sobretudo quando se verifica que o atual traçado da carreira 728 é praticamente sobreposto à futura linha 16E entre Santa Apolónia e a Estação Oriente.
Assim, e para evitar a referida sobreposição, sugere-se como hipótese desviar a 728 para o Areeiro a partir da Estação de Santa Apolónia, via Avenida Mouzinho de Albuquerque, Praça Paiva Couceiro, Rotunda do Vale de Chelas, Rotunda das Olaias e Avenida Afonso Costa, com terminal antes da inversão na Praça Sá Carneiro, onde o recorte permitiria.
Importa salientar que a ligação entre Santa Apolónia e o Areeiro depende hoje exclusivamente da carreira 735, que regista elevada procura e atrasos constantes, circulando pelo interior de Sapadores, Praça Paiva Couceiro e Rua Morais Soares, tornando-a bastante demorada.
Com o desvio proposto para a carreira 728, esta passa a oferecer uma ligação rápida e direta atualmente inexistente entre a Estação de Santa Apolónia e o coração do Areeiro, dois pólos geradores de procura por representarem interfaces com as linhas Azul (em Santa Apolónia) e Verde (no Areeiro) do Metropolitano de Lisboa e ainda as linhas ferroviárias do Norte (em Santa Apolónia), Cintura e Sintra (em Roma-Areeiro).
Esta solução prepara também os passageiros para o futuro canal de elétrico previsto para a Avenida Mouzinho de Albuquerque, criando procura neste eixo antes da chegada do modo ferroviário.
As zonas de Moscavide e Portela passariam a ser servidos pela 782, cuja reformulação proposta pode ser consultada mais abaixo.
781Encurtamento à Estação de Santa ApolóniaAquando da entrada em funcionamento da nova linha 16E
A 781 circula atualmente entre o Prior Velho e o Cais do Sodré mas o estudo da PROFICO propõe o seu encurtamento ao Beato.
Em alternativa, propõe-se o que a carreira continue a efetuar serviço até à Estação de Santa Apolónia, evitando a sobreposição com o 16E e com a 782 no troço até ao Cais do Sodré. Poderá justificar-se um ajuste de frequência.
É importante manter a 781 em Santa Apolónia - e não mais a norte - para que continue a assegurar uma ligação rápida e direta aos Olivais e ao Prior Velho, zonas que o 16E não serve.
782Reformulação do traçado e prolongamento à PortelaAquando da entrada em funcionamento da nova linha 16E
Contrariamente à supressão sugerida pela PROFICO, a carreira 782 deve manter-se em funcionamento. Passa a funcionar diariamente - incluindo período noturno - entre o Cais do Sodré e a Portela, substituindo a carreira 728 na zona oriental de Lisboa (embora com uma frequência inferior).
O troço entre o Cais do Sodré e o Poço Bispo seria feito via percurso e paragens da carreira 210, de modo a evitar sobreposição com a carreira 16E, que circula pela Avenida Infante D. Henrique. No referido troço, o 782 serve a Rua Bica do Sapato (no sentido em que a circulação o permite), a Cruz da Pedra, a Igreja da Madre de Deus e o Museu do Azulejo, e o interior de Xabregas e Beato, cruzando-se novamente com o elétrico apenas no Poço do Bispo.
Atualmente, o interior de Xabregas e Beato é servido apenas pela carreira 718 (e 34B localmente) no período diurno e 728 no período noturno. Esta zona vai receber novas urbanizações, com mais habitantes e comércio, pelo que a oferta deve ser ajustada a longo prazo. Assim, a carreira 782 passa a reforçar o eixo interior de Xabregas e Beato no período diurno, oferecendo ligações e destinos diferentes das carreiras 718 e 34B.
A partir do Poço Bispo, o 16E segue para a Matinha, enquanto a 782 segue pelo Vale Formoso de Cima, voltando a sobrepor-se ao elétrico apenas num curto trajeto entre o Oceanário e a Estação Oriente. No final, o 782 serve Moscavide e a Portela, enquanto o 16E segue para o Parque das Nações Norte e Parque Tejo, oferecendo soluções distintas.
A carreira 782 passaria a contar com período noturno em toda a sua extensão, ou seja, entre Cais do Sodré e Portela. Dadas as semelhanças de percurso entre o atual serviço noturno da carreira 728 e a 782 proposta, sugere-se que no referido período sejam mantidos os atuais horários e as mesmas 4 chapas ao serviço.
18EDesvio pela Rua de São Paulo e novo terminal no Corpo SantoImplementação imediata e prolongamento a Santa Apolónia aquando da entrada em funcionamento da nova linha 16E
Com a alteração definitiva do percurso da carreira 714, que deixou de circular pela Rua de São Paulo, este eixo ficou exclusivamente entregue ao elétrico 25E, devendo ser reforçado. Propõe-se, por isso, que o 18E passe a circular via Rua de São Paulo até ao Corpo Santo, onde pode efetuar terminar.
Sugere-se o prolongamento do Corpo Santo à Estação de Santa Apolónia aquando da construção da infraestrutura da nova linha 16E, assegurando uma ligação sem transbordos, atualmente inexistente, entre a Ajuda e a Estação de Santa Apolónia.
Importa ainda sublinhar que as carreiras 18E e 760 efetuam praticamente o mesmo trajeto entre o Cais Sodré e a zona da Boa Hora e partilham ainda o terminal no Cemitério da Ajuda. A única diferença de traçado entre as duas carreiras reside no troço entre a Boa Hora e o Cemitério da Ajuda, onde o 760 serve o Palácio da Ajuda e o Pólo Universitário, enquanto a carreira 18E segue via Calçada da Ajuda e Rua das Açucenas. Por esta razão, o desvio pela Rua de São Paulo - que deve ser implementado de imediato - e um possível futuro prolongamento à Estação de Santa Apolónia permitiriam ao 18E oferecer aos passageiros opções de origem e destino diferentes dos já oferecidos pela carreira 760.
25EProlongamento à Estação de Santa ApolóniaAquando da entrada em funcionamento da nova linha 16E
Atualmente, não existe qualquer ligação direta entre Campo de Ourique e a Estrela à Estação de Santa Apolónia, perdida aquando do encurtamento da carreira 709. Aproveitando a construção da infraestrutura da futura linha 16E, propõe-se o desvio do 25E para a Estação de Santa Apolónia, a partir da Praça do Comércio, repondo esta ligação perdida há mais de uma década.
Além disso, com esta alteração, o terminal da Rua da Prata (Praça da Figueira) passa a ficar exclusivo para a carreira 15E, evitando conflitos relativamente às partidas de cada uma das carreiras.
784Versão PROFICORejeição da criaçãoNão criar
Considera-se que a criação da carreira 784, referida no estudo da PROFICO, não se justifica nem apresenta benefícios. Trata-se de uma ligação de âmbito metropolitano, que não cabe à rede CARRIS, e as zonas que serviria já se encontram asseguradas: Parque das Nações Norte e Sacavém pela 708, que oferece a partir da Estação do Oriente uma ligação totalmente diferente da do elétrico, e Moscavide e a Portela pela reformulação da carreira 782.
Em particular, a ligação direta à Portela não pode ser perdida nem entregue à 784, que apenas a liga à Estação do Oriente e não aos restantes destinos hoje servidos. A ligação entre a Estação do Oriente e a Portela é já assegurada pela carreira 2731 da CARRIS METROPOLITANA (Estação do Oriente – circulação via Portela), que cumpre a função proposta para a 784.
Acresce que o número 784 se encontra já reservado para uma ligação "expresso" na zona ocidental da cidade, oposta à zona em causa.
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